Apple busca nova revolução com o iPad
Produto é mistura de notebook, e-reader e telefone inteligente
Gustavo Chacra, correspondente em Nova York
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Ainda magro em consequência de problemas de saúde, Jobs, com sua tradicional camisa de gola alta preta, subiu ao palco e, depois de contar um pouco da história e dos lucros de produtos da Apple como o iPod, exibiu pela primeira vez o iPad, que vinha sendo aguardado desde o fim do ano passado.
"Nós queremos iniciar 2010 com a introdução de um produto verdadeiramente mágico e revolucionário. É muito mais intimista do que um laptop e bem mais capaz do que um celular inteligente", afirmou o carismático presidente da Apple para uma audiência de dezenas de jornalistas, em evento que ofuscou completamente o lançamento do celular Nexus One pelo Google semanas atrás. Canais de TV pararam as suas programações normais para mostrar o novo produto, enquanto os jornais fizeram cobertura instantânea por meio de blogs.
Como no caso do iPod, o produto se difere de praticamente tudo o que existe no mercado. Fisicamente, o iPad lembra um iPhone gigante. Sua tela sensível ao toque terá cerca de dez polegadas. O aparelho pesará 680 gramas. Não haverá teclado físico, apenas virtual.
Segundo Jobs, a bateria será econômica, sendo possível assistir a um filme de "San Francisco a Tóquio" - esse foi o principal obstáculo para o desenvolvimento do produto. O modelo mais avançado, com 64 gigabytes de memória, custará US$ 829, enquanto o mais simples poderá ser adquirido por US$ 499. Os dois devem estar à venda nas lojas da Apple nos Estados Unidos em dois meses. Não há previsão de quando será lançado no Brasil.
A conexão à internet deverá ser fornecida por meio de um plano de US$ 30 mensais com a AT&T, companhia já responsável pelo iPhone no território americano.
Apesar de não fazer chamadas convencionais, o iPad poderá usar softwares de telefonia via internet. O aparelho inova por ter a vantagem de poder utilizar 140 mil aplicativos criados para o iPhone inexistentes nos seus competidores na categoria tablet. Além disso, supera os netbooks (computadores menores para navegar na internet) por ter uma tela com resolução bem maior e um design mais simples, típico da Apple, com apenas um botão.
"Os netbooks não são melhores em nada. Eles possuem telas de baixa qualidade", disse Jobs, tentando mostrar a superioridade de seu produto.
E-READER
Antes do lançamento, muitos analistas diziam que o iPad poderia ser para os livros e jornais o que o iPod conseguiu ser para a música. Jobs disse já estar em contato com editoras para vender livros virtuais.
O problema é que já existem aparelhos de leitura avançados, como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes&Noble. E os dois se diferem do iPad. Ambos são direcionados apenas para a leitura, sem a preocupação com a internet ou comunicação. A luminosidade da tela também é diferente, cansando bem menos a vista. O Kindle e o Nook, para serem lidos, precisam de iluminação externa, como se fosse um livro. O iPad terá uma luminosidade igual à de um computador comum, vinda da tela, cansando a vista da mesma forma.
A leitura de publicações grandes, como livros, não deve sofrer grandes alterações. Analistas já diziam ontem que iPad não será um concorrente direto do Kindle ou do Nook.
A expectativa, porém, se dá na imprensa. Jornais e revistas, por terem textos menores, diferentemente de livros, podem ser lidos com mais facilidade em telas de computadores e tablets, sem o problema do cansaço da vista. Alguns jornais e revistas, como o New York Times e as publicações da Condé Nast, já começaram a desenvolver formatos para serem adaptados ao iPad.
Martin Nisenholtz, do New York Times, subiu ao palco durante a apresentação de Jobs e comentou sobre o desenvolvimento de um aplicativo especialmente para o iPad. "Queremos misturar o melhor da edição impressa com a edição digital", disse. Jennifer Brook, também do jornal de Nova York, acrescentou que eles conseguiram "capturar a essência da leitura de um jornal".
O aplicativo, de acordo com o New York Times, permitirá aos leitores gravar artigos no iPad, alterar as dimensões do texto, mudando o número de colunas, arrastando fotos e exibindo vídeos. "Será tudo o que você sempre amou em um jornal, tudo o que você sempre amou da internet e tudo o que você pode esperar do New York Times", afirmou Brook.
TELEVISÃO
E, segundo se comentava ontem nas TVs americanas, o iPad pode afetar ainda mais a indústria da TV. Com a alta resolução da imagem, programas e séries poderão ser assistidos de qualquer lugar com boa qualidade, bem acima da existente atualmente em sites como o YouTube e o Hulu. O Los Angeles Times também lembrou que a tela sensível ao toque de tamanho grande, como a do iPad, permitirá que aplicativos de artistas sejam usados até mesmo para a produção de obras de arte.
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